sexta-feira, 17 de março de 2017

triângulo trágico

no meio da pista escura e cheia de fumaça eles se encostaram e saiu uma faísca.
- como é seu nome?
- desdêmona.
- mentira!
- é sim.
ele morreu de rir e ela se incomodou.
ele se explicou:
- meu nome é iago... quais são as chances?
ela notou que ele estava com um amigo.
- e seu amigo?
- otávio!

quarta-feira, 15 de março de 2017

queridas feridas

essas dores são como marcadores
trechos para serem relembrados
voltar a correr
voltar a escrever
voltar a viver

como faz o peixe quando se debate na superfície

como faz o sobrevivente quando se levanta da tragédia

como faz para seguir acreditando...?

imediatamente

imediatamente quis mudar tudo.
como evitar?

mudaram os muros, os mundos.
nunca mais te vi.
nunca mais te quis.

só quis mudar tudo
e tudo demorou muito a passar.

não posso mais.
preciso ir.
imediatamente.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

minimalismos

[liberdade]
andar na contramão
e ignorar todos os sinais

--

[black]
pintar de preto
tudo o que precisa
ser xxxxxxx esquecido

--

[não]
não me olhe
nos olhos mais
não me veja
não me queira
mais
não posso
com você

--

[grito]
quantas vezes
preciso ficar
em silêncio
até você me ouvir?

--

[almoço inútil]
comer sem apetite
e entre lágrimas

--

[pecado frugal]
chorar sobre o
prato de bolonhesa
sem queijo

--

[cegueta]
não deixa de ser curioso
meu olho doente,
quase fechado,
me perguntando:
afinal, o que você (não)
quer ver?

--

[surda]
faço o que com essas músicas todas
que não vou conseguir te mostrar?

sábado, 8 de outubro de 2016

não posso

deixei quase tudo pela metade. você me interrompeu. e foi desde a primeira vez. desde a primeira vez que eu coloquei os olhos em você eu já sabia. mas como posso explicar?

domingo, 10 de julho de 2016

Seres semelhantes

Foi naquela noite, enquanto eu subia a rua, olhando para o chão com as pálpebras pesadas, tentando não pensar em nada mas inevitavelmente conversando com as tags pelos muros e os padrões geométricos do chão, que tive uma impressão assustadora. As pessoas que passavam por mim descendo a rua no sentido contrário pareciam todas iguais. Homens, mulheres, independente de gênero e cor, todos pareciam absolutamente iguais. A parábola da minha história tornava-se real de uma maneira surreal. Já fazia um tempo que eu reparava nisso, na verdade. Já fazia um tempo que as pessoas todas que eu conhecia assemelhavam-se. Inclusive as pessoas novas, que eram praticamente cópias das pessoas mais antigas.

[24 de março de 2016]