segunda-feira, 7 de maio de 2018

adeus é uma palavra nobre



ouvi seu tic tac, compasso confuso do seu coração conflituoso

seu tic tac abafado
sob seu peito ocupado
me dizia afobado e controverso:
- que poema ruim você pode fazer de mim?
- sou melhor que você, se eu quiser, ele morre.

Desertei. Não houve outro jeito.
Seu coração me viu partir.
E ficou inteiro, não teve piedade.
Não há espaço para teatros.
Neste peito só cabem verdades.
E adeus é uma palavra muito nobre
para se dizer no meio da madrugada.


controle do tempo



Há muitas maneiras de parar o tempo.
Uma delas é estar tão em paz que o tempo passa a ser irrelevante.
A outra é dizer não, e assim interromper a duração de tudo aquilo que não nos serve.

Natimorto


Às vezes é por desespero
Às vezes é por solidão
Nos autodestruímos
Porque não conseguimos
Controlar a força motriz
De nossa criação –
Uma colisão de corpos
Uma explosão nuclear

Assim nascem as estrelas
Assim morrem os amores.

Wrecked



My body is a vessel
It sails loosely, with no direction
It takes the waves, the tides,
responds to the windows and moons

It gets wrecked every time...
and when I’m deep down there
the ocean opens up to me
and shows me how small I am
and also how strong I can be

I get wrecked every time
and somehow sirens appear
strange creatures sing along
and show me the pass

My body is a lost vessel
no wreck can stops it
from sailing.

Ar azul da manhã de outono



Vim assistir o céu mudar de cor.
Essa semana passou voando e
dando rasante, arrastando tudo.
Segure-se quem puder, salvem-se!
Outono chegou atrevido, azul claro,
como há muito eu não via, aquela cor
que dura segundos quando amanhece.
Meus versos não cabem numa rima.
Eles riem de mim num complô para fazer piada,
enquanto eu insisto em querer fazer poesia.
Ouço os passarinhos que acordam cedo.
Vejo os aviões cruzarem os céus da cidade,
pois é dia e pássaros e aviões já podem voar.
Essa semana voou pelos ares.
Ares é o deus da guerra, elemento ar.
Ar azul da manhã de outono.