domingo, 15 de outubro de 2017

Obsessão


Ela nunca havia se preocupado em conter as obsessões. Na verdade, não tinha controle algum sobre elas. Ao invés de antever as crises, ela tinha paciência. Para todo o resto na vida era passiva. Mas quando se encantava com algo ou alguém, pronto, focava no alvo como uma seta, e perseguia o cerne do seu objeto de afeto como água atingindo a terra. Exauria-se com o assunto. Decepcionava-se com as pessoas. Tudo e todos têm falhas, obviamente. Pensava nisso obsessivamente, enquanto dava-se conta de que o pensamento mântrico também tem um quê de obsessivo em rua repetição eterna. Sentia-se mais louca do que nunca. E cada vez mais pronta para ser monge.

sexta-feira, 17 de março de 2017

triângulo trágico

no meio da pista escura e cheia de fumaça eles se encostaram e saiu uma faísca.
- como é seu nome?
- desdêmona.
- mentira!
- é sim.
ele morreu de rir e ela se incomodou.
ele se explicou:
- meu nome é iago... quais são as chances?
ela notou que ele estava com um amigo.
- e seu amigo?
- otávio!

quarta-feira, 15 de março de 2017

queridas feridas

essas dores são como marcadores
trechos para serem relembrados
voltar a correr
voltar a escrever
voltar a viver

como faz o peixe quando se debate na superfície

como faz o sobrevivente quando se levanta da tragédia

como faz para seguir acreditando...?

imediatamente

imediatamente quis mudar tudo.
como evitar?

mudaram os muros, os mundos.
nunca mais te vi.
nunca mais te quis.

só quis mudar tudo
e tudo demorou muito a passar.

não posso mais.
preciso ir.
imediatamente.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

minimalismos

[liberdade]
andar na contramão
e ignorar todos os sinais

--

[black]
pintar de preto
tudo o que precisa
ser xxxxxxx esquecido

--

[não]
não me olhe
nos olhos mais
não me veja
não me queira
mais
não posso
com você

--

[grito]
quantas vezes
preciso ficar
em silêncio
até você me ouvir?

--

[almoço inútil]
comer sem apetite
e entre lágrimas

--

[pecado frugal]
chorar sobre o
prato de bolonhesa
sem queijo

--

[cegueta]
não deixa de ser curioso
meu olho doente,
quase fechado,
me perguntando:
afinal, o que você (não)
quer ver?

--

[surda]
faço o que com essas músicas todas
que não vou conseguir te mostrar?

sábado, 8 de outubro de 2016

não posso

deixei quase tudo pela metade. você me interrompeu. e foi desde a primeira vez. desde a primeira vez que eu coloquei os olhos em você eu já sabia. mas como posso explicar?