quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Lenda do soldado perdido

por uma causa perdida, o soldado perdeu o sentido.

EM 2013...

#1) esqueci de contar os dias. os dias tomaram conta de mim.

#2) me atrasei muito. me precipitei um pouco. aos poucos aprendo que o ajuste é por um triz.

#3) mudei de nome, de endereço, de idioma e ocasionalmente de ideia. mudar é bom. mas não muito.

#4) pensei em parar de fazer listas. mas gosto tanto...

#5) tirei as ideias da cabeça, os desenhos do papel, subi as paredes, desci as ruas, entrei nos becos e nunca mais as coisas tiveram o mesmo sentido. 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

domingo, 10 de novembro de 2013

domingo, 20 de outubro de 2013

GUERRA

O único lugar onde a guerra pode genuinamente ser boa é na poesia. É lindo ver as palavras guerreando, engolindo-se, arriscando-se a outros sentidos. Um espetáculo de arena onde pode ou não haver feridos, já que palavras têm também esse poder, o de ferir. À despeito disso, a beleza da palavra bem forjada, dissecada com precisão de balística, no exercício surreal que é fazer poesia, nisso cabe a guerra. A paz é fácil. A guerra é difícil. E viver é guerrear.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Palavras de raiva

eu queria poder escrever com toda a raiva que sinto
expiar as palavras com a força de esfregar a alma
até que ela ficasse alva. e de alva, com drama, fuleira,
ficasse vermelha. vermelha de sangue, de raiva, de bicho vivo.
porque vivo com fome. fome de tudo que posso e mais ainda
do que não posso. do que não devo e me atrevo. desembesto.
faço tudo o que sei e mais ainda o que não sei. faço errado.
e entre um erro e outro, acerto. conserto aos poucos um pouco
do que achei não ter mais conserto. me acerto. e é desconcertante
emendar as palavras sem medo, sem buscar um sentido certo, deixar
que elas se encontrem, que se percam, que se amem, que se odeiem.
que naveguem loucas, à deriva, sem rumo, sem remo, sem rima, sem nada.
que naufraguem, que nadem muito para se salvar, mas que sobrevivam,
que não se afoguem. que experimentem a raiva de querer estar vivo.
mas essa raiva é só minha. é só meu ego comprando briga com o texto.
as palavras se defendem como podem. se enchem de plurais, se estendem.
e eu não entendo. não entendo a guerra, nem a paz, nem a regra, nem a raiva.