segunda-feira, 18 de agosto de 2014

sol frio

sobre aquelas letras na parede, ele alega que é inocente.
sobre aquela cerca que se ergueu de repente, não sabe.
alega que o que vemos é o que sempre existiu, nada novo.
então por que eles olham tudo com tanta surpresa e alarde?
por que tudo arde diante de nós e os peixes se afogam?
há de restar alguma coisa real, algo além de carnal e imoral.
há de existir algo mais além de rimas tão fáceis e inocentes.
há de haver alguma inocência, um verso sem ponto final
há de haver um dia em que as palavras se bastem, se abracem,
se perdoem neste mar infinito de vírgulas e interrogações.
sobre tudo aquilo que não puderam dizer, nem explicar,
sobretudo por aquilo que viram ruir, eles agora se riem, num
riso frouxo, sonso, buscando o brilho do sol num dia frio.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

silêncio de nada

o silêncio é uma arma transparente
de aparência translúcida, imune
aos impunes e sonoros absurdos.

o silêncio é uma pluma colorida,
de cheiro doce, carregada pelo vento,
orientada pelo norte, sem saber do rumo.

o silêncio derreteu a noite de meia lua,
saiu pela rua, se esvaiu em vontades sutis,
fechou os olhos e nunca mais disse nada.

[um dia o silêncio acabou. ou será que ele nunca existiu?]

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Lenda do soldado perdido

por uma causa perdida, o soldado perdeu o sentido.

EM 2013...

#1) esqueci de contar os dias. os dias tomaram conta de mim.

#2) me atrasei muito. me precipitei um pouco. aos poucos aprendo que o ajuste é por um triz.

#3) mudei de nome, de endereço, de idioma e ocasionalmente de ideia. mudar é bom. mas não muito.

#4) pensei em parar de fazer listas. mas gosto tanto...

#5) tirei as ideias da cabeça, os desenhos do papel, subi as paredes, desci as ruas, entrei nos becos e nunca mais as coisas tiveram o mesmo sentido. 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

domingo, 10 de novembro de 2013

domingo, 20 de outubro de 2013

GUERRA

O único lugar onde a guerra pode genuinamente ser boa é na poesia. É lindo ver as palavras guerreando, engolindo-se, arriscando-se a outros sentidos. Um espetáculo de arena onde pode ou não haver feridos, já que palavras têm também esse poder, o de ferir. À despeito disso, a beleza da palavra bem forjada, dissecada com precisão de balística, no exercício surreal que é fazer poesia, nisso cabe a guerra. A paz é fácil. A guerra é difícil. E viver é guerrear.