Como tudo o
que não é feito para durar, o tempo passa; faz, desfaz e seguimos mudando, já
que não somos de pedra.
Como tudo o
que não é feito para durar, os sonhos acabam, as histórias acabam, pessoas e,
mesmo lugares, deixam de existir; ou de importar, o que dá quase no mesmo.
Como tudo o
que não é feito para durar, somos perecíveis, todos nós, mesmo que uns um pouco
mais que outros.
Vivemos
como se fôssemos imortais, mas convivemos diariamente com pessoas, bichos,
plantas… seres que morrem, que acabam, que não foram feitos para durar.
Quanto
tempo é tempo demais? Viver é bom. É dose única – embora precise de várias
doses para equilibrar o corpo que é fraco, máquina difícil de cuidar. Viver é
caro, é raro. Há muita gente que apenas existe, sub-existe. Há gente que se
mata para sobreviver. Há quem consiga. Há quem apenas mate e nunca conseguimos
entender direito o porquê. Somos todos perecíveis, apenas uns um pouco mais que
os outros.
Como tudo o
que não é feito para durar, as viagens terminam, os ciclos se encerram, as
estações se confundem na atmosfera alterada, mas ainda assim, o outono se funde
no inverno e só assim acontecem também a primavera e o verão. Nos repetimos,
mas as coisas nunca são iguais e há um motivo que explique isso e também a
inversão das estações no outro hemisfério.
As
distâncias duram. As dores duram. As faltas duram. As lembranças duram para
sempre – seja o sempre a duração breve ou longeva de uma memória.
Há coisas
que duram, mas eventualmente elas também mudam. Distâncias diminuem, dores
passam, faltas são absorvidas pela vida que flui; há lembranças que sem querer
esquecemos. Há que se esquecer. E deixar que o tempo
passe e que as coisas durem o tempo que precisarem durar.
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