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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Nunca mais

Não quero te ver nunca mais. Mesmo que isso seja tempo demais.

Pressa

Sentiu o tempo passar como se fosse uma coisa palpável, como num corredor cheio de gente, esbarrando de maneira bruta, sem cuidados nem desculpas.

Mero

Eu te empurro pra fora, te lanço no mar, não quero mais ver. E você volta, trazido pela maré cheia. Pela lembrança das pausas que eu não soube usar. Queria nadar com você, mas quando tento, afundo. Afundo nos teus olhos, que me engolem como uma nuvem de fumaça, onde nada é real ou sensível ao toque. Não há toque. A maré volta a encher e lá se vai você de novo. Eu desisto, não quero que você volte. Mas há peixes que são assim: escolhem onde morar e, na vastidão do oceano, ficam sempre no mesmo lugar.

6 segundos

O farol demorava 6 segundos para dar a volta completa. 6 segundos de uma quase escuridão. Ele pensou em beijá-la enquanto estavam ali, deitados na laje do farol, olhando as estrelas infinitas do céu. Viram uma estrela cadente e, apesar do desejo dela, o beijo não aconteceu.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Mais uma, por favor

Pediu a terceira Guinness e tomou uma olhada do barman. Filho da puta folgado. Tá me achando com cara de bêbada? Quem é ele pra me julgar, esse gordo! Mas então ele voltou com a Guinness, deu uma piscada e um sorriso e ela notou que ele não era gordo.

Poeira de estrela

Não é suficiente. Nunca vai ser. Não é uma noite inteira, mas migalhas dela, pedaços de um eu que eu já não conheço mais.