segunda-feira, 19 de julho de 2010
Verifique se o mesmo encontra-se parado
A gente se acostuma com tudo. Com o que é bom porque é fácil e agradável. Se acostuma até com o que é ruim porque mudar às vezes é difícil. Mas, acostumados ou não, a gente muda. Pode até ser uma mudança lenta e involuntária, mas a gente muda e não tem como ser diferente. A gente muda porque o mundo muda. E muda todo dia. E quando olhamos no espelho - repare! - existe sempre um pedacinho, quase imperceptível, que já não é mais o mesmo.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Imaginando finais
Ela entrou atrasada na sala de conferência. Ele viu e pensou:
a) meu deus, que deusa!
b) nossa, que medo!
c) que horas termina essa coisa chata?
Ela percebeu os olhos dele nela e ficou imaginando:
a) hmmmm, será que gostou?
b) que diabos esse cara tanto me olha?
c) ixi, quem é esse? Será que conheço?
Esbarram-se no intervalo. Ele não resistiu e perguntou:
a) você parece tensa. Está tudo certo?
b) desculpe o atrevimento, mas não pude deixar de notar você.
c) oi, será que a gente já não se viu por aí?
Ela, educada, respondeu:
a) me desculpe, mas não posso conversar agora.
b) será que eu te conheço? Olha, acho que eu me lembraria...
c) você é gentil, mas não tô muito a fim de papo... me perdoe a sinceridade!
Depois do intervalo, voltaram para a sala e entre um café e outra para manterem-se acordados, olhavam-se disfarçadamente e com curiosidade.
a) Que cara atrevido, ela pensava.
b) Que mulher estranha, ele pensava.
c) Vou falar com ela de novo, ele confabulava.
Quando o seminário terminou ela, atrasada como sempre, saiu rápido da sala. Ele, distraído como nunca, não notou.
a) Desesperado, ele correu até o estacionamento e a encontrou entrando no carro.
b) Ao notar sua ausência, ele pensou: melhor assim, preciso desligar esse meu radar...
c) Ele andava com a cabeça no mundo da lua, mas as coisas andavam acontecendo mesmo assim. Sentia que iriam se encontrar de novo.
Parada no trânsito, ela não conseguia parar de fantasiar sobre aquele encontro estranho e pensou quase que em voz alta:
a) os melhores encontros são esses mesmos, bem estúpidos e casuais.
b) porque será que essas figuras estranhas sempre cruzam meu caminho?
c) será que eu dei a ele a resposta certa?
Mais tarde, cada um de volta no seu mundo, pensavam um sobre o outro e concluíam que era divertido imaginar o final daquela história improvável.
a) O amor pode estar em qualquer lugar.
b) Mas às vezes, de onde menos se espera é dali que não sai nada mesmo...
c) Mania besta essa da gente querer sempre adivinhar as coisas. Elas só acontecem quando a gente se distrai.
a) meu deus, que deusa!
b) nossa, que medo!
c) que horas termina essa coisa chata?
Ela percebeu os olhos dele nela e ficou imaginando:
a) hmmmm, será que gostou?
b) que diabos esse cara tanto me olha?
c) ixi, quem é esse? Será que conheço?
Esbarram-se no intervalo. Ele não resistiu e perguntou:
a) você parece tensa. Está tudo certo?
b) desculpe o atrevimento, mas não pude deixar de notar você.
c) oi, será que a gente já não se viu por aí?
Ela, educada, respondeu:
a) me desculpe, mas não posso conversar agora.
b) será que eu te conheço? Olha, acho que eu me lembraria...
c) você é gentil, mas não tô muito a fim de papo... me perdoe a sinceridade!
Depois do intervalo, voltaram para a sala e entre um café e outra para manterem-se acordados, olhavam-se disfarçadamente e com curiosidade.
a) Que cara atrevido, ela pensava.
b) Que mulher estranha, ele pensava.
c) Vou falar com ela de novo, ele confabulava.
Quando o seminário terminou ela, atrasada como sempre, saiu rápido da sala. Ele, distraído como nunca, não notou.
a) Desesperado, ele correu até o estacionamento e a encontrou entrando no carro.
b) Ao notar sua ausência, ele pensou: melhor assim, preciso desligar esse meu radar...
c) Ele andava com a cabeça no mundo da lua, mas as coisas andavam acontecendo mesmo assim. Sentia que iriam se encontrar de novo.
Parada no trânsito, ela não conseguia parar de fantasiar sobre aquele encontro estranho e pensou quase que em voz alta:
a) os melhores encontros são esses mesmos, bem estúpidos e casuais.
b) porque será que essas figuras estranhas sempre cruzam meu caminho?
c) será que eu dei a ele a resposta certa?
Mais tarde, cada um de volta no seu mundo, pensavam um sobre o outro e concluíam que era divertido imaginar o final daquela história improvável.
a) O amor pode estar em qualquer lugar.
b) Mas às vezes, de onde menos se espera é dali que não sai nada mesmo...
c) Mania besta essa da gente querer sempre adivinhar as coisas. Elas só acontecem quando a gente se distrai.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Sem jeito
Tua pele morena, tua boca pequena, tuas mãos em mim como estrelas no céu. Teu rosto infantil, teu humor sutil, teus olhos acompanhando os meus a acompanharem o que fazemos juntos. E fazemos de um jeito suave, sem pressa, sem restrições. Fazemos de um jeito único. Teu jeito em meu jeito, juntos de um jeito só.
Onde você esteve?
De repente uma avalanche de perguntas lhe pegou de surpresa. Não esperava por isso. Não estava acostumada a ser cobrada, interrogada, amada com aquela sofreguidão. Não estava acostumada com ciúme, com obsessão de outros pela sua figura. Sentiu uma vontade urgente de correr, voar, desintegrar. Ao mesmo tempo gostava daquela busca. Estava curiosa para deixar-se invadir. Mas aprender a dividir era um processo bem mais difícil do que havia imaginado.
Turning point
Aquela história já estava confusa. Personagens demais. Muita gente, muitos nomes, um entra-e-sai sem fim. Chegadas e partidas mais frequentes do que podia lidar. Uma trama emaranhada na outra. Mas sentia que apesar da confusão, estava chegando naquele ponto em que as coisas se definem. Era meio tenso.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Errados
Ele fazia sempre tudo certo. Movia-se da maneira certa. Vestia-se da maneira certa. Falava no tom. Caprichava nos modos. Ela apenas observava. Acompanhava de longe seus movimentos precisos. E preparava-se para desmontá-lo. Queria vê-lo bagunçado, sem chão, sem roupas, sem medos e sem defesas. Queria vê-lo errado para ter certeza de que era feito de carne e osso. Queria saber se ele errava. Sabia que sim, mas queria ver como era.
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